Petrobras não era 'casa de negócios', diz ex-dirigente investigado.

10/06/2014 11:38

O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa negou nesta terça-feira (10), em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado que investiga irregularidades na estatal, ter utilizado a companhia para se beneficiar em negócios.

Costa é acusado de receber propina e de participar de esquema de lavagem de dinheiro investigado na Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal em março e cujo processo está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de suspeitas de envolvimento de parlamentares no caso.

"Repudio veementemente que a Petrobras era organização criminosa, que tinha outra pessoa que fazia lavagem de dinheiro, que foi dito pela impresa que eu tinha participação nos negócios, repudio. E coloco que a Petrobras não é nada disso do que está se falando. [...] Foram colocados dezenas de fatos de situações irreais, que eu repudio veementemente, que a Petrobras era casa de negócios, que existe organização criminosa lá dentro."

Investigado pela PF, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa presta depoimento à CPI do Senado que apura denúncias contra a estatal do petróleo (Foto: Weldson Medeiros / G1)Investigado pela PF, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa presta depoimento à CPI do Senado que apura denúncias contra a estatal do petróleo.

Paulo Roberto foi um dos 13 presos na Operação Lava Jato por suspeita de participar de um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que movimentou cerca de R$ 10 bilhões.

Também foi preso na operação o doleiro Alberto Youssef, acusado de movimentar um mercado clandestino de câmbio. O ex-diretor da estatal foi solto por ordem do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas o doleiro continua preso.


No depoimento aos senadores, Costa afirmou que as acusações de envolvimento no esquema o prejudicaram porque ele passou 35 anos na companhia.

Costa é suspeito de receber propina do doleiro para favorecer empresas em contratos para a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. Os pagamentos teriam sido feitos entre julho de 2011 e julho de 2012.

"Isso para mim foi muito ruim porque 35 anos de Petrobras não se joga na lata do lixo. [...] Fiquei oito anos na diretoria. Ninguém fica oito anos se ele não zelar pela companhia, não for capaz tecnicamente e eticamente."

Ex-diretor disse que não participou da compra de Pasadena
O ex-dirigente respondeu ainda perguntas de senadores sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas. A transação, concretizada em 2006, é alvo de investigações do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) devido a suspeitas de irregularidades. Paulo Roberto Costa, que era dirigente da empresa, é um dos investigados por suposto superfaturamento na aquisição.

Costa negou que tenha participado na negociação. "Minha participação na negociação de Pasadena foi nenhuma, porque isso foi coordenado pela área internacional. A parte de negociação não foi participação minha. Quando vim a participar desse assunto, quando foi levado para a diretoria, óbvio que discutimos. Achamos naquele momento que era um bom negócio e isso foi encaminhado para o Conselho de Administração."

Pasadena foi 'bom negócio' na ocasião, diz Costa
Em depoimentos anteriores à CPI, a  presidente da Petrobras, Graça Foster, disse que o resumo executivo no qual o Conselho de Administração se baseou para aprovar a aquisição de Pasadenanão continha duas cláusulas consideradas “importantes” para o negócio. Em nota oficial divulgada em março, a presidente Dilma Rousseff informou que havia se baseado em um parecer "falho" quando votou favoravelmente à compra porque o documento omitia as cláusulas Put Option e Marlim.

A Put Option determinava que, em caso de desacordo entre os sócios, a outra parte seria obrigada a adquirir o restante das ações. A Marlim garantia à empresa belga Astra Oil, sócia da Petrobras no negócio, um lucro de 6,9% ao ano.

Paulo Roberto Costa, embora tenha afirmado não participar das negociações, disse que considerou que, na ocasião, "foi um bom negócio independente dessas cláusulas". "No mundo inteiro pode-se fazer pesquisa de aquisições e vai se chegar à conclusão de que essa é uma cláusula comum [Put Option]. E a Marlim era importante para a Astra. Na minha opinião, independente das cláusulas, eu acho que foi um bom negócio para a Petrobras."

Segundo Costa, a compra era importante pela necessidade de o país investir em refino, e não apenas na produção do petróleo bruto. "Refinaria é algo muito importante e estratégico [...]. O Brasil estava numa situação complexa porque estava dependendo, como ainda depende de derivados. Então, na época era uma compra importante."

 

 

 

 

 

 

 

Jornal Folha do Rio.