Paulinho critica tentativa do PT de tirar do foco pauta específica das centrais sindicais.

08/07/2013 16:53

SÃO PAULO – As centrais sindicais começaram nesta segunda-feira a divulgar os locais onde ocorrerão paralisações do chamado Dia Nacional de Luta, marcado para a próxima quinta-feira (11). Entre outros, serão bloqueadas rodovias em, pelo menos, 12 estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco, Ceará, Amazonas e Rio Grande do Norte) e no Distrito Federal. Presidente da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) disse que há uma tentativa do PT de usar o ato das centrais para fazer campanha a favor do plebiscito da reforma política sugerido pela presidente Dilma Rousseff.
 

Na semana passada, a direção do PT orientou a militância a participar das mobilizações do dia 11 de julho. Disse o presidente da legenda, Rui Falcão, que, "para o PT, o centro da luta é a questão do plebiscito".

 

- A pauta (das centrais sindicais) é a mesma, e não avançou em nada no governo Dilma. Nossa pauta está muito clara, definida. Não é hora de uma tentativa de contrabando do PT, de discutir uma pauta política com a bandeira do plebiscito – disse Paulinho da Força.

- Se eles quiserem nos apoiar, serão bem-vindos, como o PMDB anunciou que faria. Até porque nossa manifestação é, principalmente, contra a Dilma – acrescentou.

Braço sindical do PT, a CUT, no entanto, disse que é legítima a mobilização pela reforma política no próximo dia 11 e disse que sempre foi a favorável à questão. O secretário de Administração da CUT, Quintino Severo, adiantou que o foco, no entanto, é a chamada pauta trabalhista. E cutucou Paulinho.

- Primeiramente, nós sempre defendemos uma reforma política, que é muito mais ampla que uma reforma eleitoral. Acho que ele (Paulinho) está fugindo do debate, talvez porque a reforma poderia prejudicar a criação de seu partido. O foco é a pauta trabalhista, unificada das centrais. Mas achamos importante que a sociedade debata outros temas mais amplos, como a reforma política.

 

As centrais sindicais têm uma pauta ampla de reivindicação, que inclui manutenção do fator previdenciário; jornada de 40 horas semanais, sem redução salarial; reforma agrária; fim dos leilões do petróleo; e mais investimentos em saúde, educação e segurança.

 

Força Sindical, CUT, Nova Central, CTB e UGT divulgaram nesta segunda-feira boletim conjunto convocando os trabalhadores e a população em geral para “saírem às ruas e promover greves, grandes manifestações de protesto e passeatas” na quinta-feira.

 

Na quinta-feira, a CUT disse que irá mobilizar, em nível nacional, pelo menos 29 categorias. Ocorrerão, entre outros, atos de professores, metalúrgicos do ABC, químicos e bancários. Em São Paulo, a programação varia de manifestações em porta de fábricas no início do expediente a passeatas, entre elas uma na Avenida Paulista junto com movimentos sociais.

 

No Rio de Janeiro, a princípio, está previsto um grande ato com concentração de manifestantes na Candelária, com posterior passeata pelas ruas da cidade em direção à Cinelândia.

 

A central prevê, ainda, manifestações em Maceió (Praça do Centenário), em Campo Grande (Praça do Rádio), em Belém (passeata partindo da Prefeitura Municipal), e em Porto Alegre (duas caminhadas saem em direção ao Largo Glênio Peres), entre outras.

 

Já a Força Sindical programa, em São Paulo, o fechamento da Marginal Tietê e da Avenida do Estado, além do bloqueio das rodovias Anchieta, Castello Branco, Raposo Tavares, Fernão Dias, Dutra e Mogi-Bertioga. No interior paulista, há previsão de manifestações em Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Franca, Santos, Guarulhos, Osasco, Sorocaba, Piracicaba, Lorena, Araçatuba, São José dos Campos, entre outras. Os portuários também irão cruzar os braços.

 

No Distrito Federal, a Força Sindical prevê uma passeata, cuja concentração será na catedral de Brasília, até o Congresso Nacional.



Jornal Folha do Rio.