Padilha diz que proposta do governo tornará estudantes de medicina ‘mais humanos’.

10/07/2013 16:53
Padilha vai se reunir com autoridades espanholas
Foto: Jorge William / Agência O Globo Foto: Jorge William / Agência O Globo

Padilha vai se reunir com autoridades espanholas Foto: Jorge William / Agência O GloboJORGE WILLIAM 

 

BRASÍLIA - No dia em que termina o prazo para que a presidente Dilma Rousseff decida sobre a sanção ou veto ao projeto chamado Ato Médico, que regulamenta a atividade médica, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que o governo ainda analisa "detalhadamente" o texto final da proposta. O ministro também defendeu que a obrigatoriedade dos estudantes de medicina em cumprir dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS) tornará os médicos "mais humanos".

- Ao ficar dois anos imerso na atenção básica, o recém-formado vai ser um médico mais bem formado, com visão ampla e geral sobre o paciente, um médico mais humano, que conheça o paciente como um todo, e não só pedaços - disse Padilha, após participar do programa do Bom Dia, Ministro.

 

O programa Mais Médicos lançado na última segunda-feira prevê levar médicos para áreas aonde há carência de profissionais.

Sobre a proposta do chamado Ato Médico, que, por exemplo, restringe à categoria a prescrição de medicamentos e o diagnóstico de doenças, ele destacou que a norma passou por diversas modificações ao longo da tramitação no Congresso e que, depois de finalizado o texto, o governo ouviu representantes de todas as categorias. O ministro ressaltou a importância da regulamentação da medicina, mas defendeu que seja mantido o "espírito de equipes multiprofissionais".

- Reforçamos a importância de se ter a regulamentação da área medica. Isso dá segurança ao paciente, mas é importante também que se mantenha o espírito de equipes multiprofissionais, com outros conhecimentos e competências, que são o conjunto das profissões de saúde. Teremos o dia todo inteiro para analisar e encaminhar sugestões para decisão da sanção da presidenta - disse.

O projeto de lei tem sido criticado por profissionais de várias categorias não médicas da área da saúde, que promovem diversos protestos pelo país. Essas categorias consideram o Ato Médico um retrocesso e pedem que a presidente Dilma vete alguns de seus pontos, como o que atribui exclusivamente aos médicos o diagnóstico de doenças. Já para os médicos, esse ponto é considerado a essência da lei.

Na última terça-feira , quando o governo federal lançou o programa Mais Médicos, a presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Maria do Socorro de Souza, pediu que Dilma vetasse o projeto, tendo sido seguida por um coro “Veta, Dilma”.



Jornal Folha do Rio.