No Uruguai, Dilma critica bloqueios de rodovias durante manifestações.

12/07/2013 14:24

A presidente Dilma Rousseff na chegada ao Uruguai
Foto: Roberto Stuckert Filho/Presidência

A presidente Dilma Rousseff na chegada ao UruguaiROBERTO STUCKERT FILHO/PRESIDÊNCIA

 

MONTEVIDÉU — Ao desembarcar na capital do Uruguai na noite desta quinta-feira, para a reunião de cúpula do Mercosul, a presidente Dilma Rousseff fez um balanço dos protestos promovidos em todo o país. Dilma afirmou que os atos de quinta-feira, promovidos pelas centrais sindicais, foram legítmos e devem ser respeitados, mas criticou as interrupções de rodovias e os atos violentos que, em sua opinião, precisam ser condenados e coibidos pelo governo.

— Eu considero que em qualquer manifestação onde haja interrupção de rodovias e que se tenha atos de violência eles tem de ser condenados — argumentou. — Contamos também com o Judiciário, no sentido de multar aquelas organizações que paralisem estradas. O direito de ir e vir é um direito fundamental e democrático.

Para a presidente, no entanto, o direito de reivindicar deve ser respeitado:

— As manifestações em geral, sejam de quem sejam, tem de ser respeitadas como manifestações de revindicações, de busca de mais direitos sociais. O Brasil é isso. Nós temos grandes avanços nos últimos dez anos e agora as pessoas querem mais. E querer mais é algo muito positivo na democracia.

 

A presidente lembrou que, nos últimos dez anos, o país “avançou de forma expressiva”. Essas conquistas, disse, “vieram para ficar e não serão de nenhuma forma abaladas”. Cabe agora “aumentar os direitos sociais”.

— O Brasil é um país tão forte em termos democráticos que ele consegue conviver de forma muito positiva com as manifestações. O que um governo tem de fazer? Tem de transformar essa energia em aceleração dessas questões que um país necessita.

Mercadante acompanha Dilma

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante — que acompanha a presidente na viagem a Montevidéu — também criticou o bloqueio de estradas porque “prejudica a vidas das pessoas e não constrói nada — não gera mais democracia, nem mais direitos sociais”. Ele disse que as manifestações precisam ser respeitadas, mas que os manifestantes também precisam respeitar os direitos dos outros.

— Isso faz parte do amadurecimento e acho que está cada vez mais sólido.

Para Mercadante, “os excessos devem ser coibidos”:

— O importante é ter disposição de diálogo e discutir abertamente. Os excessos têm que ser coibidos. As pessoas que desrespeitarem a lei terão de pagar. Mas a tendência é de acomodação. O ciclo de manifestações está bem mais moderado.

Mercadante considera que os protestos estão “mais moderados”. Segundo ele, o Brasil está encerrando um ciclo. Para o ministro, a inflação vai cair. Ele voltou a defender destinação de 75% dos recursos dos royalties do petróleo e dos rendimentos do Fundo Social à educação e de 25% à saúde. Mercadante lembrou a licitação para o campo de Libra, na Bacia de Santos, em outubro.

— É a maior licitação da história da economia internacional do petróleo. São entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris. A estimativa é que Libras produza, em 35 anos, US$ 1 trilhão aproximadamente. Usar essa riqueza para a educação é um grande avanço — completou.



Jornal Folha do Rio.