“Eu vim pelo social, eu sou a renovação para Niterói.”

07/11/2013 16:13

 

 

Após nada menos que dez meses veio essa frase na minha cabeça graças a minha querida memória que ao sair para almoçar hoje me deparei com uma cena cada vez mais crescente na nossa querida “Cidade Sorriso” que anda tristonha devido ao sofrimento que vem passando ao logo desses oito anos.

 

Falo do número crescente de moradores de rua na nossa cidade, não falo de bairro de periferia, estou falando do centro de Niterói que abriga o polo industrial e financeiro da cidade, dito por muitos como o coração de Niterói. Neste bairro aonde se encontra o fórum da região, bancos, empresas, shopping, tudo tem aqui, inclusive um número crescente de moradores de ruas e usuários de drogas.

 

O que isso tem a ver com o título do texto?

 

Calma, falarei o porquê lembrei-me dessa frase, em breve.

 

Ano passado, em pleno a campanha eleitoral, a cidade transpirava política e eu como bom niteroiense também, fui convidado por um amigo a acompanhar as campanhas políticas dos prefeitáveis naquela época e ir a alguns comícios dos tais, logo achei um programa interessante para escutar as propostas sobre o futuro da cidade.

 

Fui ao comício de um candidato apoiado pelo ex-prefeito e que até tinha boas ideias mais tinha uma âncora muito pesada presa ao seu corpo, era o próprio prefeito na época.

 

Fui ao comício de outro candidato que ficou em terceiro lugar, achei muito radical e com utopias para uma metrópole, achei que seria inviável ele governar sozinho, sem alianças e mínimas concessões.

 

Finalmente fui ao comício do nosso prefeito, que com voz emposta, sorriso no rosto e muita gentileza, beijava as crianças, dava atenção aos idosos e dizia para a população geral: Eu sou a renovação, eu vim pelo social. Olhando hoje as ruas me pergunto após dez meses, que social é esse Senhor Prefeito?

 

Fiquei desconfiado e logo descobri que ele, o nosso querido prefeito estava fazendo teatro, mais uma vez iludindo o povo como faz os seus comparsas de partido.

 

Não querendo dar aula de gramática ao Senhor, mais quando falamos em social, falamos de: coletivo, sociável, humanitário, benéfico, totalmente antagônico ao sentido de sociedade que o Senhor está exercendo, um mandato pessoal, individual, asocial, dissocial, dessociável, deixando nossos professores municipais sem condições de trabalho, nossa cidade sem segurança, mais na sua rua tem carro de polícia, somente o Senhor necessita ser protegido?

E desvalorizando o trabalho informal, retirando pessoas que dignamente tem como única renda familiar o trabalho na feira livre do largo da batalha, essas pessoas, que não querem esmolas do governo como bolsa tal, ou tal, mais querem trabalhar com dignidade e formalidade, basta o Senhor, mais uma vez colocar junto às secretarias competentes para trabalhar e agir em prol deles. E como fica o caso dos moradores de rua, Senhor Prefeito?

 

Coloque as secretarias competentes para trabalhar, os moradores de rua necessitam de oportunidade, tratamento psíquico, físico, as pessoas não são cães para serem recolhidas e jogadas em abrigos e viverem amontoadas como entulhos ou lixo para decomporem e virarem adubo para terra.

 

Solicito encarecidamente que haja pelo social, que seja social como diz a gramática, não faça mais teatro, pois daqui a três anos nos encontraremos de novo nas urnas e o povo lhe dará o pagamento devido assim como fez com outros. Não quero nem falar em renovação, pois isso é um papo para outro dia, ou daqui a três anos.

 

Um forte abraço e se tiver coragem de responder o direito democrático de resposta convincente está garantido e será publicado.

 

Wellington Rosa, colunista do Jornal Folha do Rio.