Líderes decidem nesta terça sobre CPI Petrobras; entenda negociação.

06/05/2014 11:09
Senadores do PMDB cercaram Renan Calheiros na última terça (29) para debater sobre a instalação de CPI mista ou exclusiva do Senado para investigar Petrobras (Foto: Moreira Mariz/Agência Senado)Senadores do PMDB cercaram o presidente da Casa, Renan Calheiros, na última terça (29) para debater
a instalação de CPI mista ou exclusiva do Senado sobre a Petrobras.

Líderes dos partidos no Congresso vão se reunir na tarde desta terça-feira (6) com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para decidir sobre a instalação de uma CPI para investigar denúncias de irregularidades na Petrobras. A oposição vai insistir em uma CPI mista, com participação de senadores e deputados. O PT quer uma CPI exclusiva no Senado.

Na semana passada, Calheiros havia aberto caminho para a instalação das duas comissões. Mas o senador deixou nas mãos dos líderes partidários a definição final sobre qual delas será efetivamente instalada. Para que uma CPI comece a funcionar, é preciso que os partidos indiquem os nomes dos integrantes da comissão e que seja realizada a primeira sessão do colegiado.

Oposição
Como os principais partidos de oposição – PSDB, DEM e PSS – não querem a CPI exclusiva do Senado, eles não devem indicar nomes para compor a comissão. Com a CPI mista, esperam envolver todo o Congresso na investigação e dificultar a influência do governo nos trabalhos da comissão.

O PMDB, maior bancada da Casa, também deve apoiar a CPI mista. Após ter apoiado o governo para criar uma CPI ampla destinada a investigar, além da petroleira, denúncias no Metrô de São Paulo e na refinaria Abreu e Lima (PE), o partido quer desfazer a imagem de que seria contrário às investigações. Por isso, deverá ser favorável ao colegiado misto.

"A mista é mais abrangente, e a tendência é que os líderes se entendam e definam a indicação para a CPI mista", afirmou o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

PT
O PT, por outro lado, vai defender um colegiado restrito por entender que, sem o "barulho" dos deputados, a comissão poderá trazer menos desgaste ao Palácio do Planalto. Por isso, o partido deve adotar a estratégia de não indicar nomes para a CPI mista.

"Se queremos realmente ter uma investigação serena, com todo o cuidado necessário para não transformá-la em uma disputa político-eleitoral, o ideal é que possamos fazê-la no Senado", declarou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE).

Renan pode indicar nomes
No entanto, há um entendimento de que o presidente do Senado, Renan Calheiros, pode indicar integrantes para uma CPI caso os partidos se recusem a apresentar seus escolhidos.

Na reunião dos líderes, os oposição e governo vão tentar encontrar uma alternativa que atenda os dois lados. Não há votação para decidir que tipo de CPI será instalada. As negociações dependem do diálogo entre as siglas.

Entre várias divergências, há pelo menos um consenso: PT, PMDB e partidos de oposição concordam que o Congresso não deve ter duas CPIs – uma no Senado e outra mista – para investigar a Petrobras.


Caso a CPI seja instalada apenas no Senado, terá 13 membros. Se for mista, será composta por 13 deputados e 13 senadores. Nos dois casos, PT e PMDB ocuparão as principais posições, porque têm as maiores bancadas.

Composição da CPI
Na reunião desta terça-feira, o presidente do Senado deverá receber dos líderes partidários as indicações dos nomes que integrarão as duas CPIs.

Na hipótese de haver uma CPI somente no Senado, o PMDB optará pela presidência da comissão, de acordo com o líder do partido no Senado, Eunício Oliveira (CE). Nesse caso, a relatoria ficaria com o petista José Pimentel (PE), que é o líder do governo no Congresso. O cenário, porém, poderá ser alterado caso seja aprovada a comissão mista.

 

 

 

 

 

Jornal Folha do Rio.