Justiça italiana determina que Pizzolato seguirá preso em Modena.

07/02/2014 11:49

O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil (BB) Henrique Pizzolato continuará preso em Modena, na Itália, por prazo indeterminado, segundo decidiu a Justiça italiana em audiência nesta sexta-feira (7). De acordo com a juíza responsável pelo caso, o ex-diretor – preso na quarta-feira (5), em Maranello, e já condenado no processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) – permanecerá preso por haver um "perigo de fuga". Pizzolato se apresentou à Corte de Apelações de Bolonha, onde foi feito seu reconhecimento oficial. Além disso, o mandado de prisão provisória internacional foi validado, permitindo que ele permaneça detido.

Durante a audiência, Pizzolato disse que não quer ser extraditado para o Brasil. "Estou sereno e tranquilo. Quero permanecer na Itália e não ser extraditado. O que acontece no Brasil é um processo político", afirmou o ex-diretor na audiência, segundo seu advogado, Lorenzo Bergami.

Van que transportou Pizzolato para audiência em Bologna deixa Corte de Apelações nesta sexta-feira (7). Ele permanecerá preso em Modena (Foto: Paolo Tomassone/Especial para o G1)Van que transportou Pizzolato para audiência em Bolonha deixa Corte de Apelações nesta sexta-feira (7). Ex-diretor do Banco do Brasil permanecerá preso em Modena.

De acordo com o advogado, Pizzolato está preso em uma cela normal na penitenciária Sant’Anna, e divide o espaço com outros prisioneiros. O objetivo da defesa era fazer com que Pizzolato aguardasse o processo de extradição em prisão domiciliar.

O advogado Lorenzo Bergami, que defende Pizzolato na Itália, após a audiência (Foto: Paolo Tomassone/Especial para o G1)O advogado Lorenzo Bergami, que defende
Pizzolato na Itália, após a audiência em Bolonha.

Bergami disse que a audiência foi realizada em um clima muito cordial e positivo. Pizzolato falou em italiano e não quis ter um intérprete. Dentro do tribunal, o ex-diretor do BB não estava algemado – no trajeto até a Corte, dentro de uma van da polícia, ele estava com as mãos presas.

Após a audiência Pizzolato foi levado de volta a Modena.

O processo de extradição de Pizzolato, condenado a 12 anos de prisão no julgamento do mensalão, ainda será feito pelo Brasil. Depende de pedido do Supremo Tribunal Federal e análise do Ministério da Justiça, que formaliza a ação junto à Justiça italiana. O Ministério da Justiça comunicou oficialmente ao presidente da Suprema Corte, Joaquim Barbosa, sobre a prisão na noite desta quinta.


 

Documentos falsos

Pizzolato era o único foragido dos 25 condenados STF no processo do mensalão e foi preso nesta quarta em Maranello, na província de Modena, norte da Itália, após a expedição de um mandado de prisão internacional. Com ele foram encontrados diversos documentos falsos, incluindo um passaporte.

Pizzolato deverá responder por uso de documento falso na Itália, o que será avaliado pela justiça em um caso separado.

Mapa fuga Pizzolato (Foto: Arte/G1)

“Ele não foi preso por isso. Será um procedimento diferente. Não é algo que ao momento nos preocupa, até porque haverá tempo, a primeira audiência não ocorrerá antes de oito ou nove meses. Pizzolato não tem antecedentes criminais na Itália, presumo que em caso de condenação pelo uso de documentos falsos ele ganhará a liberdade condicional”, afirmou.

A pena prevista para o crime é de seis meses a 3 anos de prisão. Entretanto, segundo o advogado, como o caso ainda não foi pronunciado pela Justiça italiana, qualquer estimativa é “pura fantasia”.

Família
Ao ser preso, Pizzolato estava com a mulher na casa de um sobrinho. Segundo o advogado, os dois estão bem e não tiveram nenhum problema. “Ela é uma cidadã italiana [tem dupla cidadania] e está em casa.” O advogado disse que nem a mulher nem o sobrinho de Pizzolato, um engenheiro que trabalha na fábrica da Ferrari em Maranello, vão falar sobre o caso.

O ex-diretor do BB e a mulher tinham consigo cerca de 14 mil euros e uma grande quantidade de comida. A casa onde estavam aparentava estar vazia, com janelas fechadas.

Segundo a polícia local, que já monitorava Pizzolato, inicialmente ele negou ser quem era, mas depois confirmou a identidade ao perceber que havia sido reconhecido. O ex-diretor do BB foi levado para a prisão de Sant'Anna de Modena. A polícia afirma que ele está em uma cela com outros detentos e apresenta bom estado de saúde.

Considerado culpado pelos crimes de formação de quadrilha, peculato (crime cometido por um funcionário público ao se apropriar de dinheiro, valor ou outro bem que possui em função do cargo, ou ao desviá-lo em proveito próprio ou alheio) e lavagem de dinheiro, o antigo dirigente do Banco do Brasil foi condenado pelos ministros do STF a 12 anos e 7 meses de prisão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Jornal Folha do Rio.