Juiz abre nova ação contra Youssef por suposto elo com mensalão do PT.

16/07/2014 11:46
 
 
 
 
Alberto Youssef (Foto: Joedson Alves/Estadão Conteúdo)O doleiro Alberto Youssef.

juiz federal do Paraná Sérgio Moro determinou nesta terça-feira (15) a abertura de nova ação penal contra o doleiro Alberto Youssef e mais nove pessoas pelo suposto envolvimento na ocultação da origem de R$ 1,16 milhão oriundos do esquema do mensalão do PT.

Com a decisão, os dez passarão a ser réus no processo e ainda terão de ser julgados pela acusação.

Youssef está preso desde março por suspeita de comandar um esquema criminoso delavagem de dinheiro revelado pela Operação Lava Jato. O esquema, de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões, segundo a PF.

Pela suposta relação com o mensalão do PT, Moro também decretou a prisão de Yousseff, embora ele já esteja detido devido à Operação Lava Jato. Outros três tiveram prisão decretada em razão da mesma ação: o doleiro Carlos Habib Chater, Ediel Viana da Silva e Carlos Alberto Pereira da Costa. Eles também foram presos após a deflagração da Lava Jato.

O juiz citou na decisão ainda que a decretação de nova prisão em relação a Youssef e seu grupo ocorre porque há, no caso, "dedicação profissional e habitual ao crime". A nova prisão poderá prejudicar os acusados porque, caso obtenham decisão favorável à liberdade em outros processos, não poderão ser soltos.

Os quatro foram intimados a comparecer em audiência no próximo dia 22 de julho na qual serão ouvidas testemunhas em relação ao processo que envolve recursos do mensalão do PT.


Ao todo, Janene teria recebido R$ 4,1 milhões em propina quando era líder do PP na Câmara, mas o ex-parlamentar não foi julgado pelo processo do mensalão porque morreu em 2010. Entre 2012 e 2013, 24 pessoas foram condenadas e começaram a cumprir penas.

Mensalão do PT
De acordo com a denúncia dos procuradores da República, o então deputado José Janene, do PP, morto em 2010, utilizou os serviços de Youssef para ocultar a origem de R$ 1,16 milhão em recursos criminosos provenientes domensalão, o esquema de compra de apoioparlamentar no Congresso Nacional operado por Marcos Valério nos primeiros anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Outros acusados
A filha de Janene, Danielli Kemmer Janene, um irmão e um primo do ex-parlamentar estão entre os outros seis que responderão na Justiça. Segundo a acusação, a filha de Janene e os parentes ajudaram a ocultar a origem do dinheiro na empresa Dunel Indústria, com sede em Londrina (PR), e supostamente induziram os sócios daquela empresa a erro, já que eles acreditavam na licitude da operação. O destino do dinheiro seria o repasse para uma locadora de veículos em nome do irmão de Janene, Assad Janani.

O juiz Sérgio Moro declarou a extinção da punibilidade de José Janene por estar morto. Os dez acusados responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa, apropriação indébita e estelionato. O processo foi dividido para que respondam separadamente os quatro réus presos em uma ação e os outros seis acusados em outra.

Sérgio Moro deixou claro que, embora tenha apontado que existem indícios da participação de todos com a lavagem de dinheiro oriundo do mensalão do PT, o caso ainda será julgado e todos terão possibilidade de apresentar seus argumentos.

A Operação Lava Jato da Polícia Federal já deu origem a outras oito ações penais contra grupos dirigidos pelos doleiros Alberto Yousseff e Carlos Habib Chater.

 

 

 

 

 

 

Jornal Folha do Rio.