Em evento do PT, Dilma diz que tem 'energias redobradas para fazer mais'.

11/02/2014 15:00
 

Diante de uma plateia de militantes e dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT), a presidente Dilma Rousseff rebateu nesta segunda-feira (10), sem citar nomes, críticas de potenciais adversários na eleição de outubro de que o modelo petista de governo "se esgotou" e afirmou aos integrantes do partido que possui "energias redobradas para fazer mais".

"Não somos paralisados, não paramos, sempre seguimos em frente e à frente. Quero dizer a vocês que possuo energias redobradas para fazer mais", enfatizou a presidente em meio à festa comemorativa aos 34 anos do PT, em São Paulo.

Não somos paralisados, não paramos, sempre seguimos em frente e à frentre. Quero dizer a vocês que possuo energia redobradas para fazer mais"
Dilma Rousseff, presidente da República

Ao longo dos 44 minutos de discurso no evento partidário realizado no centro de convenções do Anhembi – em que fez um balanço dos principais programas de seu governo –, a petista também respondeu declarações de líderes da oposição de que sua administração poderia ter "feito mais". Ela classificou a avaliação oposicionista de "cara de pau".

"Antes mesmo de assimilar grandes obras que realizamos, eles têm a cara de pau de dizer que o ciclo do PT acabou, que o nosso modelo se esgotou, que demos o que tínhamos de dar", disse Dilma.

"Sabemos também que eles [oposição] dizem que esse governo poderia ter feito mais. Em governos sérios como o do PT, cada conquista, cada obra, cada serviço melhorado é só um começo. E porque acredito nisso, ninguém cobra mais de mim do que eu mesma. Ninguém questiona mais meu governo do que eu mesma", complementou.

A presidente da República deu início ao seu discurso sob gritos de "Dilma, guerreira da pátria brasileira". Na tentativa de retribuir a recepção calorosa, a chefe do Executivo classificou a militância do PT de "aguerrida".

Para Dilma, as previsões "catastróficas" feitas sobre o desempenho de sua gestão são de autoria das mesmas pessoas que, no início do governo Lula, em 2003, haviam anunciado uma "debandada" de empresários do país e haviam profetizado que o Brasil ia afundar. "O fim do mundo chegou sim, mas para eles, e faz muito tempo", alfinetou.


Lula irá se reunir com o ex-chefe da Casa Branca nesta terça (11), na sede da Fundação Clinton. 

Lula
Padrinho político de Dilma e nome de maior expressão do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não prestigiou a festa de aniversário do partido que ajudou a fundar. O ex-chefe do Executivo viajou para Nova York na manhã desta segunda para um encontro com o ex-presidente norte-americano Bill Clinton.

Apesar da ausência na cerimônia partidária, Lula gravou uma mensagem em vídeo para os colegas do PT. No vídeo de cerca de cinco minutos, o ex-presidente destaca a trajetória política da legenda e conclama os correligionários a se orgulharem das conquistas obtidas pela sigla nas últimas três décadas e meia.

"Não estarei na comemoraão pessoalmente, mas acho que nenhum petista, por mais divergências que temos internamente, deve deixar de se orgulhar do que construímos nesse país. Não fizemos tudo que temos de fazer, apenas subimos alguns degraus", ressaltou na mensagem.

Oposição e STF
O evento que marcou os 34 anos do PT foi prestigiado pelos ministros Arthur Chioro (Saúde), Marta Suplicy (Cultura) e Teresa Campelo (Desenvolvimento Social). Ex-titular da Saúde e provável candidato petista ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha foi um dos poucos oradores da festa de aniversário.

Em seu discurso, Padilha criticou as gestões do PSDB à frente do Palácio dos Bandeirantes. Na visão do ex-ministro de Dilma, o governo Geraldo Alckmin é "lento, sem coragem e acomodado". A cerimônia foi o primeiro evento público em que Padilha participou ao lado da antiga chefe desde que deixou a Esplanada dos Ministérios.

Durante a solenidade, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, teceu, sem apontar nomes, duras críticas aos potenciais oponentes de Dilma Rousseff na eleição deste ano. Ele acusou os prováveis adversários da presidente de terem desencadeado uma "campanha sórdida" contra o PT.

"Verdadeiras ações de terrorismo psicológico, um verdadeiro tsunami de boatos. Mas como em outras vezes, o eleitorado não vai se deixar iludir", opinou.

Somos obrigados, agora, a assistir ao absurdo de ver membros da mais alta corte do país que prejulgam insultando, suspeitam caluniando, e agridem com uma gratuidade tão espantosa que parece estarmos vivendo em outro país. Uma corte não é um partido, nem uma torcida organizada"
Rui Falcão, presidente nacional do PT

De acordo com Falcão, a festa de aniversário, além de servir para celebrar os 11 anos do PT à frente do governo federal, também marcou o pontapé inicial da jornada que visa a reeleição da petista para a Presidência.

O dirigente do PT também criticou com palavras duras as condenações de integrantes do partido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do processo do mensalão.

“Somos obrigados, agora, a assistir ao absurdo de ver membros da mais alta corte do país que prejulgam insultando, suspeitam caluniando, e agridem com uma gratuidade tão espantosa que parece estarmos vivendo em outro país. Uma corte não é um partido, nem uma torcida organizada. Se começa a se transformar nisso, pode vir, até mesmo, a instaurar um novo tipo de terrorismo de estado”, disparou o dirigente do PT.

“O membro de uma Corte não pode ter atitudes extremadas, inconsequentes e exacerbadas, pois, por sua própria natureza, o poder Judiciário deve ser mais equilibrado e, muito especialmente, mais justo, como infelizmente não tem sido com nossos companheiros condenados no curso da Ação Penal 470”, completou.

 

 

 

 

 

 

Jornal Folha do Rio.