Dilma escutou cobranças de ministros em reunião.

03/07/2013 11:53

BRASÍLIA — Desta vez não foi a presidente Dilma Rousseff que espalhou broncas nos 37 ministros presentes na reunião ministerial de segunda-feira. Quase todos os ministros fizeram cobranças sobre o baixo nível de investimentos e a morosidade na liberação de recursos. Mas coube aos ministros petistas Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Paulo Bernardo (Comunicações) dar voz à inquietação já externada pelo partido e fazer as mais duras críticas à condução da política econômica e ao distanciamento do governo Dilma dos movimentos sociais e do “antigo PT”. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também ficou na berlinda.
 

Segundo relato de ministros presentes, a presidente mais ouviu do que falou. No final, concordou que é preciso melhorar o diálogo e a comunicação política de seu governo, mas deu mostras de que não jogou a toalha e pediu a ajuda de todos para trabalhar muito para virar o jogo e recuperar os números perdidos nas últimas pesquisas. Pelo Datafolha, ela não venceria mais no primeiro turno, na disputa pela reeleição.

— Pesquisa, a gente não discute: a gente vê, entende, e a gente age. Vamos reagir — disse Dilma, repetindo que era preciso fazer um time de resultados, padrão Felipão.

Quando a presidente saiu para dar a entrevista coletiva, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez sua exposição, elencando as dificuldades do cenário externo e o baixo crescimento mundial, mas garantiu que a economia estava sob controle e que os números começariam a melhorar logo. Nesse momento, foi duramente questionado por Gilberto Carvalho:

— Guido, você me perdoe! Mas a gente vai na feira e o cenário é outro. Todos reclamam da alta dos preços e da inflação. Se está tudo bem, o que a gente está fazendo aqui? O governo está falando uma coisa e o povo nas ruas, falando outra!

Mantega foi socorrido pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Ponderações semelhantes às de Gilberto foram feitas por Paulo Bernardo e Moreira Franco, ministro da Secretaria de Aviação Civil — que alertou que a questão era de política e não de má comunicação. Dilma sofreu críticas pelo distanciamento de seu governo dos movimentos sociais.

— Temos que estar mais junto dos movimentos sociais. Estar mais junto. Essa meninada que está nas ruas antigamente estava com a gente. Não está mais — criticou Gilberto.

— Houve um afastamento do governo com as demandas dos movimentos sociais. O governo está longe do PT antigo — completou Maria do Rosário.



Jornal Folha do Rio.