CPI mista aprova convocação de Paulo Roberto e Alberto Youssef.

04/06/2014 14:50
 
 
 
 
Parlamentares da CPMI da Petrobras se reúnem para aprovar plano de trabalho (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)Parlamentares da CPMI da Petrobras se reúnem para aprovar plano de trabalho.

A Comissão Parlamentar Mista criada para investigar denúncias de irregularidades na Petrobras aprovou nesta terça-feira (3) as convocações do doleiro Alberto Youssef e dos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró. Os dois primeiros, investigados e presos pela Polícia Federal em março, ainda não falaram em público. Eles serão obrigados a ir à sessão da CPI.

Youssef e Paulo Roberto foram presos na Operação Lava Jato, por suspeita de participarem de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 10 bilhões e envolve contratos de empresas privadas com a Petrobras. O ex-diretor da estatal foi solto, mas o doleiro continua preso.

Ex-diretor da área internacional da Petrobras, Cerveró foi o autor do parecer que baseou a decisão do Conselho de Administração da estatal de comprar a refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). A transação é investigada em razão do valor pago, cerca de US$ 1,249 bilhão, segundo a estatal.

Ainda não há data marcada [...] Agora, vamos ter sessão sim e depoimentos durante a Copa do Mundo"
Marco Maia,
relator da CPI mista da Petrobras

Após a reunião, o relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), que propôs as convocações, afirmou que ainda irá analisar a ordem dos depoimentos. Segundo ele, as datas serão agendadas pelo presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). Ainda não há previsão para a próxima reunião do colegiado.

"Ainda não há data marcada porque devem sair os requerimentos das convocatórias. Agora, vamos ter sessão sim e depoimentos durante a Copa do Mundo", disse Maia.

Durante a reunião desta terça, a oposição sugeriu que a CPI mista aprovasse a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico das pessoas que a comissão desejava ouvir, como de Ceveró, Youssef e Paulo Roberto. Para o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), o acesso a esses dados daria elementos para que os integrantes do colegiado pudessem questionar os depoentes.

O PT, no entanto, não aceitou a sugestão e destacou que Cerveró não é investigado por cometimento de crimes.

"Ele não é acusado de nada, não há indícios de propina. O que está em questão é se tecnicamente ele agiu corretamente no processo de aquisição da refinaria de Pasadena. Os demais já tiveram sigilos quebrados e o requerimento de informações e documentos dos inquéritos seriam suficientes", disse o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

O relator Marco Maia, por sua vez, disse que os documentos requisitados à Polícia Federal, Ministério Público e Judiciário já conterão informações fiscais e telefônicas de suspeitos de irregularidades.

O petista argumentou que Graça Foster e Gabrielli já foram ouvidos pela CPI da Petrobras formada apenas por senadores. Segundo ele, a CPI mista deve colher mais informações para poder avançar em um novo depoimento de Graça Foster e Gabrielli.

Graça Foster e Gabrielli
Ainda na reunião da CPI mista, os deputados e senadores aprovaram as convocações da presidente da Petrobras, Graça Foster, e do ex-presidente da estatal José Sérgio Garbrielli. A comissão, no entanto, aceitou o plano de trabalho do relator da comissão, deputado Marco Maia (PT-RS), que prevê deixar para agendar os depoimentos dos dois para depois das oitivas de Youssef, Paulo Roberto, Cerveró e outros diretores e ex-diretores da Petrobras.

Também foram aprovados pedidos de cópias de inquéritos da Polícia Federal, como o da Operação Lava Jato, de documentos da Petrobras, como as atas das reuniões do Conselho de Administração da estatal.

No plano de trabalho aprovado pelos parlamentares, Marco Maia divide as investigações da CPI mista em três eixos: compra da refinaria de Pasadena; indícios de pagamento de propina pela empresa holandesa SBM Offshore a funcionários da Petrobras; e indícios de superfaturamento na construção da Refinaria Abreu e Lima.

 

 

 

 

Jornal Folha do Rio.