Celso Amorim reconhece ‘vulnerabilidade’ para espionagem no país.

10/07/2013 16:48

Reunião ministerial no Palácio da Justiça para discutir medidas do governo em relação às denúncias de espionagem dos EUA no Brasil Foto: André Coelho / Agência O Globo

Reunião ministerial no Palácio da Justiça para discutir medidas do governo em relação às denúncias de espionagem dos EUA no BrasilANDRÉ COELHO 

 

BRASÍLIA - O ministro da Defesa, Celso Amorim, reconheceu na audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado a situação de “vulnerabilidade” na troca de informações oficiais no Brasil, com uma possibilidade real de violação de dados por outros países. Segundo Amorim, “estamos ainda na infância, não é nem adolescência” em relação à defesa cibernética. O ministro reclamou veladamente do baixo orçamento do governo federal para os programas de proteção cibernética: menos de R$ 100 milhões previstos no Orçamento da União de 2013.

 

- A situação em que a gente se encontra hoje é realmente de vulnerabilidade. Por mais que tenhamos proteção dos dados sigilosos pela criptografia, a mera detecção sobre o tipo de contato mantido já é uma informação de valor analítico para um eventual adversário do país - disse o ministro.

Amorim afirmou que o núcleo de defesa cibernética existente no Exército Brasileiro ainda é “jovem”, em funcionamento desde 2011. Depois da divulgação das informações sobre a suposta espionagem do governo dos Estados Unidos no Brasil, o ministro se reuniu com os chefes das Forças Armadas para dimensionar a fragilidade dos dados que circulam no país.

- As reuniões internas com as Forças Armadas servirão para verificar o grau de vulnerabilidade, para saber se dados de interesse militar podem ter sido atingidos de alguma forma. Uma resposta cabal sobre isso será difícil - afirmou Amorim na comissão do Senado.

Segundo ele, as mensagens são criptografadas e, por essa razão, gozam de uma proteção “razoável”. Mas, para o ministro da Defesa, há a necessidade de que as redes de transmissão - todas elas nas mãos de empresas internacionais - contem com tecnologia e serviço brasileiros. Também não há satélites brasileiros usados na defesa cibernética, o que amplia a vulnerabilidade, conforme Amorim.

- As redes propriamente não têm um sistema brasileiro de proteção. As ferramentas todas que existem são estrangeiras. Umas das necessidades mais urgentes é desenvolvimento científico e tecnológico nessa área.

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, citou tratados internacionais e a própria Constituição Federal como garantidores do direito ao sigilo e à privacidade das informações. Ele também participa da audiência no Senado, com o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, José Elito.

- O assunto é de grande sensibilidade. O que está em jogo é a soberania brasileira - disse Patriota



Jornal Folha do Rio.