Após protesto, manhã é de limpeza e policiamento reforçado no Palácio Guanabara, Laranjeiras.

12/07/2013 14:31

Funcionários da prefeitura fazem reparos nos jardins do canteiro central da Rua Pinheiro Machado, em frente ao Palácio Guanabara após manifestação
Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

Funcionários da prefeitura fazem reparos nos jardins do canteiro central da Rua Pinheiro Machado, em frente ao Palácio Guanabara após manifestaçãoPABLO JACOB 

 

RIO - Após protesto realizado na Rua Pinheiro Machado, em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras, a região amanheceu nesta sexta-feira com policiamento reforçado. Nesta manhã, garis da Comlurb fazem a limpeza do material deixado no local. Funcionários da prefeitura também trabalham no reparo dos gradis no canteiro em frente ao imóvel, derrubado durante o confronto entre manifestantes e policiais militares. Carros da Polícia Militar fazem patrulhamento na Rua Pinheiro Machado, que passa em frente à sede oficial do Governo do Rio, e também em vias próximas. Segundo a Polícia Militar, 46 pessoas foram presas por atos de vandalismo e nove foram autuadas em flagrante por formação de quadrilha. Em nota, a PM afirmou nesta manhã que 150 policiais atuaram no protesto.

 

Na noite desta quinta-feira, após um início pacífico, com poucos manifestantes gritando palavras de ordem, o protesto, realizado na Rua Pinheiro Machado, ganhou contornos de vandalismo. Manifestantes lançaram rojões em direção ao prédio que abriga a sede do governo estadual e pessoas atearam fogo em sacos de lixo em ruas como Marquês de Pinedo e Presidente Carlos de Campos. PMs reagiram usando gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha. Placas e outros equipamentos públicos foram quebrados na Rua Senador Vergueiro, no Flamengo. Houve conflitos na Praça São Salvador.

Por volta das 22h, a polícia voltou a fechar a Rua Pinheiro Machado nos dois sentidos, na altura do palácio. A via foi reaberta cerca de meia hora depois. Para tentar dispersar manifestantes, policiais jogaram jatos de água e atiraram balas de borracha contra a multidão. Quem tentou se abrigar na Casa de Saúde Pinheiro Machado, que fica na rua, foi obrigado a subir para o segundo andar do prédio, pois o cheiro do gás invadiu o primeiro andar. O local teve ainda vidraças quebradas pelas balas disparadas pela PM. Algumas pessoas passaram mal.

O ato chegou a reunir cerca de mil pessoas e, segundo moradores da região, policiais do Batalhão de Choque atuam no entorno do palácio. A área foi cercada por aproximadamente 240 PMs, de três batalhões.

O rojão que atingiu o palácio foi lançado por volta das 19h40m e, naquele momento, não houve reação da PM. No entanto, manifestantes que estavam com os rostos cobertos teriam jogado pedras nos militares, que usaram gás lacrimogêneo e spray de pimenta para conter baderneiros. Segundo representantes da OAB que acompanharam o protesto no local, dez pessoas foram detidas e levadas para a 9ª DP (Catete). Três deles foram autuadas no artigo 262, 'expor a perigo outro meio de transporte público, impedir-lhe ou dificultar-lhe o funcionamento'. Todos foram liberados após o pagamento de fiança. Na 12ª DP (Copacabana), uma advogada foi autuada por desacato. Ela também foi liberada. Por volta das 23h, outras 22 pessoas foram detidas na Praça São Salvador.

Em nota, o governador Sérgio Cabral afirmou que atos de vandalismo não serão tolerados no estado: "Grupos que vão para as ruas com o objetivo claro de gerar o pânico e destruir o patrimônio público e privado tentam se aproveitar das recentes manifestações legítimas de milhares de jovens desejosos de participar e aperfeiçoar a democracia conquistada com muita luta pelo povo brasileiro".



Jornal Folha do Rio.