André Vargas renuncia ao cargo de vice-presidente da Câmara.

10/04/2014 11:19
 
 
 
 

O deputado André Vargas (PT-PR) anunciou nesta quarta-feira (9) a renúncia ao cargo de vice-presidente da Câmara dos Deputados. A decisão, segundo ele, se deu após a abertura de um processo de cassação de mandato por suposta quebra de decoro parlamentar, em virtude de suas relações com o doleiro Alberto Youssef.

Numa carta divulgada em seu site, Vargas diz que, com a renúncia, ele poderá se concentrar em sua defesa, e assim "não prejudicar o andamento dos trabalhos da Mesa Diretora" e "preservar a imagem da Câmara, do meu partido e de meus colegas deputados".

Na última segunda (7), André Vargas pediu licença não remunerada de 60 dias do mandato de deputado após revelações de sua ligação com o doleiro. Segundo reportagem da revista "Veja" com base em relatório da PF, Vargas atuava junto com Youssef para captar verbas em projeto do Ministério da Saúde. Além disso, usou avião fretado pelo doleiro em janeiro para viajar de férias com a família.

Na carta em que anunciou a renúncia, Vargas disse estar enfrentando "um intenso bombardeio de denúncias e ilações lançadas em veículos de imprensa baseadas apenas em vazamentos ilegais de informações". Ele disse que terá agora a oportunidade de esclarecer sua versão sobre o caso.

Sobre uma possível cassação de mandato, diz que enfrentará o processo no Conselho de Ética "tranquilamente" e que tem a certeza que provará que não cometeu "nenhum ato ilícito".

"Sigo com muito orgulho de minha história política e minha luta, ao lado de tantos companheiros, em defesa do povo paranaense e pela construção de um Brasil melhor", finalizou.


Alberto Youssef foi preso pela Polícia Federal por suposto envolvimento em lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 10 bilhões. Questionado sobre o caso, o relator Júlio Delgado avalia que Vargas quebrou o decoro parlamentar.

Processo de cassação
O processo aberto no Conselho de Ética foi pedido por PSDB, DEM e PPS e terá o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) como relator. O prazo para a conclusão do processo disciplinar na Câmara é de 90 dias úteis, incluindo toda a tramitação no Conselho de Ética e a votação posterior no plenário da Câmara.

"A cada dia, surgem novos fatos sobre a relação do André Vargas com o doleiro. O fato, por exemplo, de na semana passada ele ter dito aqui na tribuna da Câmara que a relação dele com o doleiro era superficial e que não tinha nada mais profundo – e a gente já conhece que há algo mais profundo que isso –, já demonstra que no próprio plenário ele tenha cometido [quebra de decoro]", disse o deputado.

Após o anúncio da renúncia de Vargas, o líder do PT, deputado Vicentinho (PT-SP), afirmou que a sigla apoia a decisão, mas ainda não decidiu quem será o indicado para ocupar a vice-presidência da Casa.

Pelo regimento da Câmara, havendo vacância de cargo da Mesa Diretora até 30 de novembro, deve ser realizada eleição entre os deputados para a escolha do novo ocupante do cargo. Segundo a regra da proporcionalidade partidária na Câmara, o novo vice-presidente deve, necessariamente, ser do PT.

"A nossa coordenação reunida apoia esta decisão. Entende que, de fato, é o caminho melhor. É claro que a vaga de vice-presidência pertence ao partido dos trabalhadores. Nós vamos discutir posteriormente como vamos resolver esta questão para colocar alguém que o substitua", disse Vicentinho.

 

 

 

 

 

 

Jornal Folha do Rio.