‘Não vou atrasar obra olímpica por causa de 200 pessoas’, diz prefeito.

03/07/2013 11:49
Clube usou aviões como barricada para evitar remoção Foto: Marcos Tristão / Agência O Globo

Clube usou aviões como barricada para evitar remoção

 

RIO — O prefeito Eduardo Paes disse, em entrevista à Rádio CBN na manhã desta quarta-feira, que vai manter o plano de remover o Clube Esportivo de Voo (CEU), em Jacarepaguá, Zona Oeste da cidade. O clube ocupa o terreno há 30 anos em caráter de concessão. Há cerca de três anos, a prefeitura anunciou que queria a área de volta para preparar o espaço para acolher eventos esportivos das Olimpíadas. O prefeito disse que não vai atrasar a obra do Parque Olímpico por causa de “200 pessoas”:

— Há cerca de um ano começamos as negociações para que a área, que é pública, fosse desocupada. Conseguimos com as Forças Armadas um novo espaço em Guaratiba, mas propus que, enquanto a área não estivesse pronta, eles utilizassem o Aeródromo de Nova Iguaçu, que havia sido cedido pelo prefeito Nelson Bornier. Demos 15 dias para que eles fizessem a mudança, prometendo que não mexeria na área de pista, a princípio. Mas não posso atrasar as obras das Olimpíadas porque 200 pessoas, que não são as pessoas mais carentes do Brasil, querem pousar e decolar.

Na noite de terça-feira, funcionários do consórcio Parque Olímpico avançaram, com retroescavadeiras, contra o portão do clube. Eles chegaram a destruir o relógio da caixa d’água do clube, mas foram contidos por cerca de 70 pilotos que participavam de uma reunião para decidir o futuro do CEU, cujo espaço está sendo pleiteado pela prefeitura. A ação tinha respaldo numa liminar expedida pelo juízo da 3ª Vara de Fazenda Pública dando um prazo de 15 dias para a desocupação da área e permitindo que o consórcio ingressasse no CEU para preparar a obra.

Segundo Ricardo Buzelin, diretor jurídico da agremiação, as negociações para a desocupação da área estavam em andamento através de uma liminar anterior à que foi expedida nesta terça-feira dando um prazo de nove meses para o clube deixar o terreno. O impasse começou, de acordo com ele, quando a prefeitura ofereceu em troca uma área do Exército em Guaratiba, junto ao Campos Fidei, onde o Papa Francisco fará celebrações.

O terreno na Zona Oeste, no entanto, é uma reserva biológica do estado. Ainda de acordo com Buzelin, a área oferecida em Nova Iguaçu foi interditada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) há anos e há riscos para operações aéreas. Os associados pedem um espaço que comporte as 150 aeronaves do clube e uma indenização.



Jornal Folha do Rio.