'Símbolos da corrupção no Brasil continuam soltos', diz ministro.

10/12/2013 11:12

O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, afirmou nesta segunda-feira (9), Dia Mundial de Combate à Corrupção, que os símbolos da corrupção no Brasil "continuam soltos". O chefe da CGU, no entanto, não disse a quem estava se referindo ao fazer a declaração durante evento que celebrou os dez anos de criação do órgão, ligado à Presidência da República.

Indagado por jornalistas sobre se a prisão dos condenados no processo do mensalão é um marco no combate à corrupção no país, Hage minimizou os efeitos da medida. Para ele, o fato foi importante no sentido de mostrar que as instituições, "quando querem, funcionam". O ministro ressaltou que o Brasil está longe de ter condenado "símbolos da corrupção".

Eu diria que está muito longe de termos condenado símbolos da corrupção no Brasil. Na minha opinião, os símbolos da corrupção no Brasil, os emblemáticos, continuam soltos"
Jorge Hage, ministro da CGU

“É importante sim [as prisões de réus do mensalão], que mostra que as instituições, quando querem, funcionam. Mas eu diria que está muito longe de termos condenado símbolos da corrupção no Brasil. Na minha opinião, os símbolos da corrupção no Brasil, os emblemáticos, continuam soltos”, declarou o ministro.

Durante o evento, Hage disse que o Brasil avançou no combate à corrupção na última década e citou ações do Executivo federal tomadas para estimular a transparência na gestão pública, como a Lei de Acesso à Informação.

Segundo ele, 95% dos questionamentos direcionados às repartições públicas federais já foram respondidos, sendo a maioria deles em até 12 dias. O prazo-máximo para que os órgãos públicos prestem esclarecimentos sobre demandas da população é de 30 dias.

Questionado sobre o que ainda precisaria ser feito no Brasil para melhorar o combate às más práticas de gestão, Jorge Hage citou a reforma política e a reforma no processo judicial.

Mais tarde, em evento na Procuradoria Geral da República sobre combate à corrupção, Jorge Hage afirmou que há casos mais graves de corrupção.

"O que eu entendo é que a realidade não passa por um caminho de absoluta racionalidade. Os avanços se dão aos trancos e barrancos. Deus escreve certo por linhas tortas. Se fosse possível você fazer uma escala dos casos moralmente mais condenáveis que já teve conhecimento de corrupção no Brasil, você escolheria primeiro quais casos, quais situações?", disse. "Evidente, sem nenhuma dúvida, claro que tem [casos piores do que o mensalão]", completou.

 

 

 

Jornal Folha do Rio.